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Sêo Leonel Fontoura era monarquista. E acreditava na força da palavra escrita. Tanto que, na década de vinte, fundou um jornal na minha cidade, para defender os interesses da comunidade e as suas idéias. O jornal chamava-se O MUNICÍPIO e anunciou o nascimento do robusto rebento do casal Geraldo Pinto e sua digníssima esposa, Dona Zizinha. O ano era o de 1932 e o rebento era eu, o locutor que vos fala.
Nosso grupo escolar se chamava Benedito Valadares e era igual a todos os grupos escolares chamados Benedito Valadares que o Chico Campos mandou construir por Minas Gerais inteira. Pois não é que, embora o prédio fosse um beneditovaladares autêntico, o nome do grupo foi trocado pelo da Princesa Isabel que nunca ouviu falar em Caratinga mas era a ídola do Sêo Leonel Fontoura!? Foi a primeira prova da força da imprensa que eu assisti na minha vida!
A crença do Sêo Leonel Fontoura na sua missão era de tal ordem que, quando Hitler invadiu a França, O Município anunciou em manchete: “Hitler nem pense em contar com nosso apoio!”
É com esta fé herdada que Marcelo e Heber — que conheço desde os tempos em que eu balançava o turíbulo e ele batia a campainha nas rezas de Maio — continuam hoje, com a palavra certa, ou melhor a PALLAVRA CERTA, a missão do velho e fraterno amigo do meu pai — as duas ruas com seus nomes fazem esquina em Caratinga a de saber usar, para os devidos fins, o poder do verbo. Que, aliás, estava no princípio de tudo, como sabemos.